28 fevereiro 2017

Mercado imobiliário aposta nas novas tecnologias


As novas tecnologias entraram ao serviço do mercado imobiliário, desde o início do projeto arquitetónico até à promoção. O potencial investidor pode conhecer o imóvel antes dele ser construído ou depois de edificado através de uma visita virtual. Longe vão os tempos em que se compravam as casas em planta e onde alguns promotores recorriam às maquetes para mostrar os empreendimentos antes de serem construídos.

Com a evolução das tecnologias, surgiram novas formas de apresentação dos projetos. A realidade virtual, também conhecida como 3D, veio dar um grande impulso ao imobiliário por permitir conhecer os projetos ainda antes destes serem construídos.

A técnica foi sendo aprimorada ao ponto de, para muitos ‘olhos’ menos treinados, ser difícil distinguir as imagens reais das virtuais. Os filmes permitem ver a construção e os projetos finais de uma forma quase real e, nos anos 90 do século passado e início deste, revolucionaram totalmente o imobiliário. A Pura Imagem, que celebra 20 anos no mercado da realidade virtual no imobiliário, é um exemplo. Miguel Correia, diretor da Pura Imagem, refere que a projeção de um futuro cria a possibilidade de vender antes de existir, de corrigir ou antecipar erros que no passado só eram identificados em obra, estudar a iluminação e os materiais, e ter uma visão realista e uma redução de custos nos projetos. “Neste sentido, tanto a área comercial ligada aos promotores, como a área conceptual, onde se inserem os arquitetos, passaram a ter mais uma forma de visionar as obras para além dos tradicionais desenhos técnicos”, explica.

O responsável admite que, ao longo dos anos, se tem conseguido proporcionar imagens mais realistas, filmes com storytelling, soluções de Virtual Reality, Imagens e Vídeos 360º, entre outros.

Os conteúdos de Realidade Virtual, onde se pode andar e interagir em tempo real dentro de um projeto, serão sem dúvida uma ajuda útil para a promoção, pois permitem uma imersão realista, gerando um conjunto de emoções e uma perceção espacial enorme, levando as pessoas a imaginar que estão no projeto. Para isso, existe atualmente a Realidade Aumentada (RA). A IT People Innovation é a pioneira em Realidade Aumentada para o imobiliário em Portugal com o lançamento do ARchitect, em 2016, que permite a visualização do modelo 3D de uma casa em tamanho real antes da sua construção. Um produto com o qual estão a revolucionar a forma como as pessoas antecipam a compra de casa.

No final de 2016 criou a versão deste mesmo produto para o Microsoft Hololens, que adicionalmente permite visitar o interior do modelo 3D, em tamanho real, e abrir as janelas de uma casa antes destas sequer estarem construídas. Luís Martins, diretor da IT People Innovation, revela que “a RA tem um impacto profundo no negócio da promoção imobiliária, ao permitir a visita ao projeto 3D de uma casa no local onde esta irá ser construída. Isto é interessante quando promovemos imobiliário para clientes internacionais. Na arquitetura, o recurso a RA permite que arquitetos deem a ver exatamente como e onde desejam que aquele lanço de escadas, aquela parede ou aquela janela seja construída”, explica.

Para ajudar neste processo surge ainda o BIM (Building Information Modeling), que proporciona a todos os intervenientes e em todas as fases, a possibilidade de atuarem inseridos num ecossistema de processos colaborativos suportados por informação digital. Trata-se assim de um upgrade dos processos convencionais, com vista ao Virtual Design and Construction (VDC) ou, se se preferir, a utilização da prototipagem digital na indústria AEC – Arquitetura, Engenharia e Construção.

Gustavo Leal, Partner da bimTEC, revela que a gestão digitalizada da informação que percorre as diferentes etapas de um empreendimento permite processos de coordenação e compatibilização virtual de projetos, extração automática de quantidades, simulação energética, integração com o facility management e o asset management, a produção automática de peças desenhadas de projeto, a evolução para métodos construtivos modulares, a gestão dos planeamento e dos custos das empreitadas diretamente nos modelos, etc. “O BIM no processo de promoção imobiliária garante uma velocidade incremental de resposta e uma maior flexibilidade, fundamentais para as novas formas de consumir e de utilizar da sociedade atual”, admite o responsável.

BIM jé tem estatuto de diretiva comunitária

Gustavo Leal adianta que o BIM alcançou já o estatuto de diretiva comunitária e que muitos países estão neste momento a trabalhar as respetivas normas (Portugal inclusive), pelo que se preconiza uma adoção generalizada e mandatória a curto prazo.

A todas estas ferramentas junta-se também a utilização de drones na promoção imobiliária e não só. Manuel Barreto, Account Executive da SkyEye, revela que a utilização do drone não se fica apenas pela filmagem dos exteriores e da envolvente. Através do drone é possível elevar a qualidade do 3D e ajudar o trabalho do arquiteto desde o início. O responsável explica que trabalham para o mercado imobiliário em três níveis: na produção de ortofotomapas, na produção de fotografia em alta resolução para o 3D e na produção de imagens e vídeo para os empreendimentos já construídos.

Manuel Barreto revela que, desde o ano passado, o trabalho aumentou significativamente (o volume de negócio da empresa regista um crescimento de 10% ao ano) e que mesmo não sendo ainda uma das ferramentas mais requisitadas pelos mediadores, é muito pretendida por arquitetos e promotores. O responsável adianta ainda que apenas a imagem do drone não chega, daí produzirem também imagens do interior mesmo em 3D – “contamos uma história da casa ou projeto”, salienta.

O futuro tecnológico do mercado imobiliário está assegurado.

Fonte: Jornal Económico

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